DESTREINO

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

As modificações induzidas pelo treinamento são transitórias ou passageiras. Todas as características secundárias adquiridas por meio do treino, perdem-se e retornam aos limites iniciais pré treinamento, após determinado período de inatividade. Pelo motivo exposto há sempre a necessidade de manutenção do treinamento em níveis contínuos para a manutenção de um estado de treinamento mais elevado.
Embora ainda não se tenham explicações adequadas para inúmeros questionamentos relacionados com os efeitos da prática da atividade física envolvendo integrantes da população jovem, verifica-se que, nos últimos anos, uma grande quantidade de informações vem sendo acumulada com referência ao assunto. Certamente, as lacunas existentes têm a ver com o fato de alguns programas de atividade física induzirem modificações morfológicas e funcionais na mesma direção do que é esperado para o próprio processo de maturação biológica (GUEDES & GUEDES, 1995).
Os especialistas em pediatria enfatizam que as crianças, tanto funcional quanto estruturalmente, não são semelhantes aos adultos (ASTRAND, 1992). Em pessoas adultas, tem-se assumido que as alterações que eventualmente, possam ocorrer caracterizam-se como uma resposta ao processo de adaptação do estresse imposto pelo esforço físico. Entretanto, em se tratando de crianças e adolescentes, as modificações que presumivelmente ocorrem até que atinjam o estágio de maturidade podem ser tão grandes ou maiores até do que as próprias adaptações resultantes de um programa de atividade física (GUEDES & GUEDES, 1995).
Nesse sentido, parece ser fundamental, em estudos realizados com crianças e adolescentes, que se distinguam os efeitos do treinamento dos possíveis efeitos provocados pela ação do crescimento, desenvolvimento e maturação sobre as variáveis analisadas.
Segundo ARAÚJO (1985), o crescimento pode ser definido como as mudanças normais na quantidade de substância viva; é o aspecto quantitativo do desenvolvimento biológico, é medido em unidades de tempo, resultando de processos biológicos por meio dos quais a matéria viva normalmente se torna maior. O crescimento enfatiza as mudanças normais de dimensão durante o desenvolvimento e pode resultar em aumento ou diminuição de tamanho e, ainda, variar em forma e/ ou proporção. O desenvolvimento, por sua vez, pode ser definido como um processo de mudanças graduais, de um nível simples para um mais complexo, dos aspectos físico, mental e emocional pelo qual todo ser humano passa, desde a concepção até a morte (BARBANTI, 1994); já, a maturação significa pleno desenvolvimento, a estabilização do estado adulto efetuada pelo crescimento e desenvolvimento (ARAÚJO, 1985).
Para GALLAHUE (1989), o crescimento pode ser definido como o aumento na estrutura corporal realizado pela multiplicação ou aumento das células; o desenvolvimento como um processo contínuo de mudanças no organismo humano que se inicia na concepção e se estende até a morte; por fim, ainda segundo GALLAHUE (1989), a maturação refere-se às mudanças qualitativas que capacitam o organismo a progredir para níveis mais altos de funcionamento e que, vista sob uma perspectiva biológica, é fundamentalmente inata, ou seja, é geneticamente determinada e resistente à influência do meio ambiente. Por exemplo: a idade aproximada em que uma criança aprende a sentar, ficar em pé e caminhar é altamente influenciada pela maturação
A perda nos níveis de adaptação adquiridos no treino estão intimamente relacionados ao período de tempo em que foram adquiridos. Como regra "quanto mais longo o período de treinamento mais longo será o período de destreino (ZATSIORSKY; 1999) e toda aquisição que se ganha lentamente e em um tempo prolongado mantém-se com mais facilidade e perde-se com mais lentidão do que as aquisições conseguidas rapidamente e em um tempo curto (BARBANTI; 1994).
Alguns aspectos morfológicos e funcionais como no caso das adaptações anaeróbias que perdem-se mais rapidamente do que as adaptações aeróbias e de força máxima. A hipertrofia muscular é tanto quanto vagarosa em sua evolução durante o treino quanto no destreinamento. Segundo FLECK & KRAEMER (1999), a redução da força durante o destreino dá-se em uma velocidade inferior quando comparada com o tempo para aquisição no treino. Vale lembrar, que os níveis de força muscular em períodos curtos de destreino, permanecem um pouco acima daqueles encontrados no pré treinamento.
Para evitar uma drástica perda nos níveis de força alcançados, e criando condições para preservar um declínio mais vagaroso da mesma, deve-se programar períodos curtos de trabalhos contra resistência. A atitude de criar microciclos breves de treinamento de força, visando uma manutenção satisfatória da força com menor perda momentânea, faz-se lógica, necessária e econômica, assim como aproveita de maneira otimizada os efeitos residuais do treinamento.

Justificativa
Adolescentes apresentam uma série de mudanças em seu desenvolvimento físico, essas mudanças, nem sempre são mensuradas, ainda mais se estes adolescentes têm em seu cotidiano uma prática esportiva agregada a sua vida escolar.
Então, as férias escolares, concomitante à pausa nas práticas esportivas, seria um momento onde estes adolescentes perderiam um pouco de suas capacidades físicas adquiridas no decorrer do ano? Ou, sem todas as atividades do dia-a-dia, estes adolescentes, poderiam também desenvolver suas capacidades físicas, como a força, a agilidade e a resistência, mesmo sem estarem treinando?

Objetivos
Este estudo foi realizado com o intuito de tentar verificar o quanto estes adolescentes desenvolvem de suas capacidades físicas, estando eles em sua vida diária normal (aulas e treinamentos), ou estando em férias?
O objetivo deste é tentar informar aos profissionais de Educação Física, sobre as diferentes fases do desenvolvimento de crianças e adolescentes, em dois momentos distintos, sendo o período letivo agregado à prática esportiva e o período de férias, onde esta é também interrompida, proporcionando maiores informações para que estes possam desenvolver em seus alunos todas as potencialidades que vierem a apresentar, seja para detectar um talento esportivo ou para que os mesmos possam desenvolver uma consciência corporal que os levará a uma melhor qualidade de vida no futuro.

Metodologia
As avaliações foram realizadas em dois locais: a quadra do CPP (centro do professorado paulista), e a quadra da EMEF Maria Adelaide situada no bairro Antônio Pagan.
Foram realizados 4 (quatro) avaliações com os alunos do CPP , nos meses de outubro e novembro de 2003 e em março e junho de 2004 e duas avaliações com os alunos da EMEF Maria Adelaide, nos meses de outubro de novembro de 2003. Estas avaliações foram realizadas sempre realizadas às 14 horas.
Participaram das avaliações crianças e adolescentes com faixa etária variando entre 9 e 17 anos. Apresentando média de altura de 1.55cm e média de peso de 48,5 kg.
Todos os adolescentes envolvidos, participam das escolinhas de voleibol do projeto VOLEI FUTURO na cidade de Araçatuba - SP, realizando atividades em média de 1 hora e 15 minutos por dia e com freqüência de 3 vezes semanais.
Os treinamentos são voltados para a iniciação esportiva, dando ênfase às atividades coordenativas, fundamentos específicos da modalidade, jogos reduzidos, tanto do voleibol quanto de outras modalidades que vão desenvolver melhores condições motoras gerais nestes jovens, além de atividades lúdicas.
A freqüência cardíaca era avaliada através da contagem dos batimentos durante 15 segundos e multiplicando-se por 4. Antes de iniciar esta avaliação os alunos permaneciam sentados por 10 minutos, já que a maioria se locomovia de bicicleta até o local da avaliação.
Para a avaliação do alcance vertical os avaliados posicionavam-se com os pés paralelos à parede, estendendo-se um dos braços sob uma trena afixada na parede, onde marcava-se os resultados.
Para a impulsão vertical os alunos "sujavam" as pontas dos dedos no pó de giz e saltavam sem deslocamento a fim de tocar o ponto mais alto que conseguissem, sendo um salto apenas para cada aluno.
Para a avaliação de agilidade utilizamos o teste adaptado de Chatorram, com uma distância 6 metros.
Freqüência cardíaca no exercício, era avaliado imediatamente após a realização do teste de agilidade contando-se no pulso dos alunos durante 15 segundos e multiplicando-se por 4.

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